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FELÍCIO ROCHO
A imunização alterou drasticamente o curso da medicina e da saúde pública mundial. A expectativa de vida da humanidade mudou com a expansão das vacinas.
Mortes foram evitadas, doenças infecciosas foram erradicadas — basta lembrarmos da varíola humana, primeira doença banida do mundo após o processo vacinal (por curiosidade, foi a primeira vacina testada, lá em 1796, na Inglaterra). Hoje, não precisamos nem mais ser imunizados contra essa infecção; ela, que já levou muitas crianças a óbito, não nos preocupa mais na área da saúde.
Aqui no Brasil, temos o exemplo bem-sucedido da vacina contra a poliomielite. O nosso país recebeu a certificação sanitária de estar livre da paralisia infantil, causada pelo poliovírus selvagem, em 1994, sendo o último caso da infecção registrado em 1989. As gerações menos jovens devem se lembrar com certo horror das sequelas da poliomielite.
No caso do sarampo, também tínhamos a certificação, mas o descuido com a taxa de imunização fez com que o vírus dessa doença potencialmente letal voltasse a ser um risco real.
O Brasil tem um calendário muito robusto — e modelo para várias nações — de vacinação para diversos públicos, por meio do seu Programa Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde. O programa está em constante atualização e é muito exitoso. O que tem decepcionado na saúde pública são, talvez, as taxas de vacinação da população atualmente. Muitas das metas de imunização estipuladas pelas autoridades sanitárias não são atingidas em termos de cobertura populacional necessária.
Resumindo, estamos sendo menos vacinados do que deveríamos, como sociedade. Isso vale para a vacina contra o sarampo já mencionada, mas também para a gripe, a Covid-19, o HPV e quase todas as vacinas infantis. Essas coberturas vêm caindo desde 2015 no Brasil, de acordo com relatórios da UNICEF (com apoio da Sociedade Brasileira de Imunização, a SBIM).
Acho que, para essa queda vacinal, há vários motivos, mas o próprio fato de muitas dessas doenças deixarem de ser uma preocupação constante torna a sociedade menos vigilante e interessada em se vacinar. As pessoas relaxam nesse quesito, e o número de vacinados acaba caindo.
Outra causa, mais moderna e ainda mais preocupante, é a ascensão de movimentos antivacina, não raramente liderados e seguidos por pessoas com conhecimento precário sobre o processo de desenvolvimento vacinal. Esse movimento de descrédito aos imunizantes, por efeito dominó, reduz o interesse e aumenta a hesitação em se vacinar contra diversas doenças. É trágico, e vemos isso regularmente nos consultórios, mesmo diante de evidências científicas.
Com toda licença ao tema, acredito que a “vacina” contra esse movimento seja o aumento dos níveis de educação da população.
Há esperança: à medida que a tecnologia das vacinas se aprimora (a vacina contra a febre amarela mudou muito pouco desde sua primeira versão, há mais de 100 anos — e, ainda assim, continua funcionando), é natural que os imunizantes evoluam cada vez mais. Hoje, conseguimos evitar morbimortalidade em diversos subgrupos e perfis de pacientes, e isso é fantástico.
Precisamos, como profissionais e cidadãos vacinados que somos, reforçar essa importância e sermos aliados de boas práticas clínicas. Definitivamente, a qualidade de vida que buscamos para as pessoas que cuidamos e tratamos passa, também, pela imunização.
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