| Wilson Rocha: Um pediatra que fez escola... |
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O MÉDICO WILSON ROCHA O Dr. Wilson Rocha, após sua formatura em Medicina pela UFMG, seguiu para os Estados Unidos, onde se especializou em Pediatria e Alergia. Primeiro, no Saint Christopher Children Hospital em Filadélfia, onde teve como preceptor o Prof. Waldo Nelson (1957 e 1958). A seguir, transferiu-se para a Duke University (1958, 1959 e 1964, 1965), sendo discípulo das ínclitas mestras Suzan Dees e Rebeca Buckley.
No seu retorno ao Brasil, montou consultório junto aos colegas como Hugo Gontijo, Marílio Ladeira, Márcio Lara Rezende, José Eleutério, local que passou a ser referência em diagnóstico e tratamento em Clínica Pediátrica na cidade de Belo Horizonte. Convidado para chefiar a Pediatria do Hospital Felício Rocho, deu vida nova à especialidade através de seu dinamismo e objetividade, no período de 1974 a 2004.
Foi uma época profícua de funcionamento e de ensino. Com reuniões conjuntas de clínica, cirurgia e radiologia.
Junto com seus colegas de consultório revolucionou a Clínica Pediátrica no nosso meio, profligou velhos tabus: criança não pode tomar leite e chupar manga; quando doente não pode tomar banho; paciente com bronquite não pode nadar; não se pode comer ovo antes de completar 15 anos.
Introduziu a hidratação parenteral para casos de desidratação grave. Na época, em casos extremos, usava transfundir soro através da parede abdominal. Estabeleceu protocolo para a abordagem e tratamento do paciente asmático.
Em casos duvidosos, sempre alertava sobre a importância de ouvir o “doutor cronos”. Formou centenas de novos profissionais, onde a responsabilidade e competência se evidenciaram no exercício diuturno da especialidade.
Por seu combate sem tréguas à incompetência, gerou algum atrito pela sua franqueza. Nem por isso mudou seu comportamento diante daqueles que deblateravam por se sentirem ofendidos. Contudo, não ficava infenso às críticas improcedentes.
Ao lado do profissional competente, estudioso, atualizado, existia o seu lado fleumático, a fina ironia, a verve espontânea.
Diariamente, ele alegrava a mesa dos médicos no Restaurante do Hospital aonde vários colegas se reuniam, para durante o almoço, saborear as suas divertidas e inusitadas histórias, estórias, casos e também os seus “causos”.
Este era o Wilson Rocha que conhecemos.
Faleceu aos 82 anos, deixando a viuva Dona Natália Teixeira Rocha, os filhos Wilson Rocha Filho (alergista e pneumologista), Celma, Paulo e Márcio (in memorian); os netos Lorena, Patrícia e Sara, Arthur, Sílvia, Victor, Ana Clara e João Paulo.
E, devo dizer que se me pedirem para opinar sobre uma inscrição em placa para homenageá-lo, repetiria a sintética inscrição na placa que homenageou Maquiavel: Dr. Wilson Rocha, tantum nomem. (Dr. Wilson Rocha, basta o nome).
O Hospital Felício Rocho, toda sua diretoria e o corpo clínico agradecem à família pela relevante contribuição do mestre Wilson Rocha na valorização da Pediatria do Hospital e apresenta-lhe suas sinceras condolências.
Por Antônio Santiago
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