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Trauma é Doença
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Trauma é Doença
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Trauma é um termo médico que significa lesão, doença. Veja análise do Dr. Domingos André.
Os números da Polícia Rodoviária Federal (PRF) relativos a 2009, especialmente durante o Carnaval e a Semana Santa, indicam que a população brasileira começa a responder de forma positiva à campanha contra a violência no trânsito. Nos oito meses de vigência da “Lei Seca”, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrava um motorista alcoolizado a cada dez testes realizados. Nos últimos feriados prolongados, a média foi de uma autuação a cada 16 abordagens. A lei federal 11.705, em vigor desde 20 de junho de 2008, proíbe o consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas por condutores de veículos. Antes, era permitida a ingestão de até 0,6 gramas de álcool por litro de sangue.
Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), cerca de 50% dos desastres com vítimas fatais nas ruas e estradas do Brasil são provocados por motoristas alcoolizados. O Ministério da Saúde registra cerca de 50 mil mortes por ano, algo em torno de 136 mortes por dia. Uma verdadeira guerra civil. Atrás dessas mortes está, principalmente, a bebida alcoólica.
O Dr. Domingos André Fernandes Drumond, cirurgião geral do Hospital Felício Rocho, e também especialista em cirurgia do trauma, analisa brevemente os aspectos dessa grave questão de saúde pública.

O que é trauma?
– Trauma é um termo médico que significa lesão. É a primeira causa de morte nas primeiras quatro décadas de vida. É uma doença evitável, potencialmente cirúrgica, que mutila, mata e de difícil tratamento.

Como o trauma afeta nosso País?
– O Brasil é recordista mundial em mortes por causas externas. Perdemos 130 mil brasileiros por ano em nome da violência, o que equivale a 350 mortes por dia. A epidemia da violência no País tem inúmeras causas que são difíceis de combater. A violência no trânsito é uma delas. A cada 10 minutos morre uma pessoa nas estradas, ruas e avenidas brasileiras. O problema é, como visto, uma questão social, pois, geralmente, esses acidentes envolvem motoristas alcoolizados.

Como o Sr. avalia a chamada ‘Lei Seca’?
– No início a Lei Seca gerou reações de lideranças dos segmentos de bares e restaurantes, porque poderia representar perdas nos negócios desses setores. Na verdade, não se proibiu a venda de bebida alcoólica, só não se pode mais é conviver com o binômio “Álcool & Direção”. A lei é a sociedade tomando consciência de que o álcool está presente em muitos acidentes com veículos automotores. A sociedade está sendo informada que não dá para saber se beber um copo de vinho é ou não é embriaguez . Depende da pessoa, do que ela comeu, do seu tipo físico, etc. E quem bebe uma cerveja, facilmente bebe duas. Todos sabem disso. Quem perdeu um familiar, um amigo, um conhecido em acidente de automóvel conhece a dor e o que poderia ter sido evitado.

O Brasil negligencia o trauma?
– As estatísticas mostram que 50% das mortes por trauma correspondem aos pacientes que sofreram lesões imediatamente fatais na cena do acidente. Outros 30% são mortes precoces, ocorridas nas primeiras horas em um hospital. Essas são as mortes evitáveis. Os 20% restantes são mortes tardias, que ocorrem dias após o trauma . O Brasil só alertou para essa doença na década de 90, enquanto os primeiros sistemas integrados de atendimento surgiram nos Estados Unidos nos anos 70, e logo em seguida na Europa.

Quais as causas mais comuns para os acidentes de trânsito?
– De sexta-feira à noite a domingo, em 50% de todos os acidentes há consumo de álcool. Isto é fato. Tão importante quanto o álcool, o que mata mesmo e mutila definitivamente as pessoas é a velocidade. O que mantém esse caos no Brasil é a impunidade.

Quais são os principais problemas e dificuldades relacionados à doença Trauma, no Brasil?
- Penso que é a indefinição de responsabilidades, mas a falta de indicadores confiáveis, as políticas equivocadas de controle e prevenção, além da banalização cultural do trauma, pela maioria, são fatores que trazem dificuldades.

 
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