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• História

“Aqui fica resumido o que será o nosso Hospital, 
será um grande Hospital”

Américo Gasparini

A partir da determinação e das ações harmoniosas de dois homens, é possível compreender-se a evolução de um desejo, de um sonho até à sua realização.

Felício Rocho

A história que ficou na memória e nos registros da Instituição diz que, em 24 de março de 1937, Felice Rosso recebe em sua sala, no Hotel Avenida, o tabelião do Cartório Oficial de Pessoas Jurídicas de Belo Horizonte, Ferreira de Carvalho. Na presença de Américo Gasparini, Dona Mariazinha, cônsul Tulio Grazziolli, cônsul honorário Conde Belli di Sardes, Dr. Braz Pellegrino, Antônio Falci, Rafael Gagliardi, Arthur Savassi, Dr. Paulo Diniz Carneiro e José Nunes Pereira, assinou a escritura de doação de parte de seus bens para a Fundação Ítalo-Brasileira Felice Rosso. Felice Rosso desejava criar serviços hospitalares para cuidar dos necessitados e desamparados. Para tanto, doara a quantia de mil contos de réis e a renda de prédios. Posteriormente, em 7 de abril, essa escritura foi registrada em cartório.

O fato teve grande repercussão social, tendo sido, amplamente, divulgado nos jornais. Anotações da época contam que, desde fevereiro de 1937, Gasparini e seus amigos “interessados na organização da Fundação Ítalo-Brasileira Felice Rosso” se reuniam, ora em sua casa à Av. Tocantins, 273, (hoje, Av. Assis Chateaubriand) ora na Casa d’Itália, à Rua dos Tamoios, 341, e tomavam as primeiras decisões relativas ao cumprimento da vontade do amigo. Esse primeiro grupo era formado pelo Cônsul da Itália, Tullio Grazziolli, pelos médicos Braz Pellegrino e Paulo Diniz Carneiro, médico do Instituto Ezequiel Dias e marido da única sobrinha de Felice Rosso e o próprio Gasparini. Esse grupo trabalhava informalmente, pois a escritura de doação determinava que “em vida do instituidor, será ele o administrador da Fundação, podendo nomear auxiliares que julgar necessários”. 

Essas primeiras decisões referiam-se a incontáveis tarefas, como:

- Elaborar, cuidadosamente, o anteprojeto do Hospital, escolhendo os mais conceituados profissionais para fazê-lo. A comissão responsável por essa tarefa foi composta por Braz Pellegrino, médico, Raffaello Berti, arquiteto e Lincoln Continentino, engenheiro sanitarista. O engenheiro de estruturas, Alfredo Carneiro Santiago, foi consultado.

- Desenvolver gestões junto aos órgãos públicos, para obtenção de terreno para o Hospital.

- Administrar os bens deixados por Felício Rocho para garantir a manutenção da Fundação.

- Escolher profissionais competentes, abrir concorrência entre fornecedores, acompanhar a obra durante a construção.

- Convidar os mais conceituados profissionais da saúde para pôr em funcionamento um hospital de alto nível.

Américo Gasparini, o advogado que orientou o italiano Felice Rosso a investir numa instituição de saúde na Capital de Minas Gerais.

O entusiasmo de todos parecia antecipar o reconhecimento da importância do Hospital até mesmo fora de Belo Horizonte. Numa das reuniões desse grupo, Ferruccio Fazzi, correspondente consular na cidade de Muzambinho, Sul de Minas, entregou à Fundação a quantia de 167$200 (cento e sessenta e sete mil e duzentos réis), arrecadados junto à comunidade daquela cidade.

Após o falecimento de Felice Rosso, em setembro de 1937, Gasparini deu seguimento às determinações do Estatuto e constituiu os grupos que administrariam a Fundação. A história desses grupos está guardada nos anais da Fundação e nunca é demais mostrar a sua evolução até a atualidade, para reverenciar os que passaram e admirar os que dão continuidade ao trabalho que ainda não terminou, pois se trata de uma obra que foi criada para permanecer.

Lançamento da Pedra Fundamental do Hospital Felício Rocho